sexta-feira, 7 de outubro de 2011

‘Medicamentos pelos Correios continuam sendo risco à saúde’

 O presidente do Conselho Federal de Farmácia  Há quase 12 anos, num artigo publicado na revista “Pharmacia Brasileira”, número 23, eu condenava o processo de venda ou entrega de medicamentos pelos Correios. Meu posicionamento acerca do tema sustentava-se em informações e números que, já naqueles idos, a todos causava perplexidade. Para afirmar, naquele texto, que “a redução dos preços oferecida por esse tipo de comércio não compensa os riscos à saúde do paciente e os prejuízos para os sistemas público e privado”, apresentei dados dos Estados Unidos. Ali, em 1999, cento e vinte mil internações hospitalares decorrentes do uso inadequado de medicamentos foram registradas. Outro dado importante destacado foi que, em 1994, também, naquele país, a morbimortalidade resultante do uso inapropriado de medicamentos gerou custos de US$ 136,8 bilhões. O estudo em questão, de autoria do professor norte-americano de Economia em Saúde, J.L. Bootman, informava que, do montante de recurso financeiro gasto, US$ 76 bilhões haviam sido gastos na compra de medicamentos com prescrição médica. O professor Bootman afirmava que, se houvesse uma atuação mais densa prestada ao paciente pelo farmacêutico, nos Estados Unidos, os custos poderiam ser reduzidos em cerca de 40%. Sobre a situação brasileira, à época, pouco se conhecia, tendo em vista que não possuíamos um serviço de farmacovigilância, tampouco haviam esforços voltados à racionalização do uso de medicamentos. Com o apoio técnico-científico de um especialista em farmacoeconomia, alertávamos que a prática em implantação à época, no Brasil, acarretaria um aumento nos custos dos problemas advindos do uso inadequado dos medicamentos pelos próprios pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Aleguei que os pacientes e o Sistema teriam que adquirir novos medicamentos para tratar das reações adversas provocadas por outros medicamentos. Em verdade, poucos municípios, ao longo de todo este tempo, ousaram implantar entregas de medicamentos pelos Correios, principalmente, aqueles utilizados no tratamento da hipertensão arterial e do diabetes. Cada vez mais, convenço-me de que tais iniciativas, quase sempre tiveram cunho absolutamente político-eleitoral. Avanços, aos poucos, vão sendo alcançados por governos e sociedade quanto à promoção do uso racional de medicamentos (URM). Resoluções profissionais editadas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) voltadas à prática farmacêutica, nas farmácias e drogarias, somadas às resoluções sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e projetos inovadores desenvolvidos no SUS por estados e municípios estão trazendo um novo alento à assistência farmacêutica, no país. Ao tempo em que pouquíssimos municípios, ainda, insistem em manter programas de entrega de medicamentos, nas residências, o Governo brasileiro contra-ataca, no setor público, com a tão desejada regulamentação da Lei nº. 8.080, de 19 de setembro de 1.990, aprovando o Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2.011, dispondo sobre a organização do SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa. Dentre os inúmeros avanços contidos no texto do decreto, faço questão de destacar o artigo 28. Ao dispor sobre o acesso universal e igualitário à assistência farmacêutica, disciplinando a prescrição e a dispensação dos medicamentos, restringe-se à ocorrência dessa dispensação em unidades indicadas pela direção do SUS. Por fim, ao contarmos atualmente com a atual legislação e as resoluções profissionais e sanitárias voltadas à prescrição, dispensação e utilização correta dos medicamentos, passamos a dispor de um arsenal para debelar, no nascedouro, todas as iniciativas, em todos os níveis, voltadas à entrega de medicamentos pelos Correios. Fonte: CFF

Produção de remédio contra mal de Chagas é interrompida

Reduzir Normal Aumentar Imprimir A falta de matéria-prima levou o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe) a interromper temporariamente a produção do Benzonidazolo. O medicamento é usado no combate ao Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença de Chagas. O diretor comercial, Oséas Moraes, disse que a paralisação ocorreu pela falta do princípio ativo, fabricado por uma única empresa química brasileira, a Nortec.
Como o laboratório público é o único fabricante mundial do produto, a organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras teme que a interrupção cause desabastecimento do remédio. Já o Lafepe e o Ministério da Saúde garantem que a distribuição está em conformidade com o cronograma e que a produção será retomada ainda este mês. Segundo a organização Médicos Sem Fronteiras, a doença de Chagas, também conhecida como tripanossomíase americana, mata mais de 12,5 mil pessoas anualmente. A estimativa é de que entre 8 e 10 milhões tenham a doença, considerada endêmica em vários países da América Latina.
A organização humanitária afirmou ainda que o risco de desabastecimento tem afetado programas de tratamento na América Latina, inclusive com a suspensão de novos diagnósticos no Paraguai e a suspensão da implantação de novos projetos na Bolívia. "Não suspendemos a fabricação (conforme afirmara, os Médicos Sem Fronteiras). Houve uma interrupção temporária por falta de matéria-prima. Nossas máquinas estão paradas esperando pela matéria-prima, mas a produção será retomada ainda este mês. No mais tardar, até o dia 20 de novembro, nós teremos prontos 3,2 milhões comprimidos", disse Moraes.
Moraes assegurou que os cerca de 273 mil comprimidos que o laboratório tinha em estoque são suficientes para atender a demanda até que a produção seja retomada. Desta reserva, 100 mil serão entregues ao Ministério da Saúde. Outros 100 mil serão enviados à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), responsável, junto com os Médicos Sem Fronteiras, por distribuir o remédio para outros países.
"Ficaremos ainda com um estoque estratégico de 73 mil comprimidos. E com os 320 kg de matéria-prima que a Nortec se comprometeu a começar a entregar ainda este mês, vamos fabricar outros 3,2 milhões de comprimidos e normalizar a produção até o final de novembro. Portanto, embora não haja, hoje, nenhuma grama de matéria-prima no laboratório, nosso estoque estratégico é o bastante para atendermos não só aos Médicos Sem Fronteiras, mas ao mundo todo", disse Moraes. Ele afirmou que só a organização humanitária solicita 470 mil comprimidos. "Vamos atender a 10% disso até que o medicamento fique pronto", disse.

Empresa afirma que entrega retorna em novembro
De acordo com o vice-presidente do conselho de administração da Nortec, Nicolau Pires Lages, a empresa química assumiu a produção da substância em maio deste ano e tem até o início de novembro para entregar os 320 kg de matéria-prima encomendados pelo Lafepe. O prazo foi estipulado em um contrato firmado em 31 de maio deste ano, quando a Nortec pediu 150 dias para adequar sua planta industrial à fabricação da substância.
"Já começamos a produzir e vamos cumprir o prazo, que vence no próximo dia 31. Vamos começar a entregar o produto no início de novembro", afirmou Lages. "Não tenho conhecimento dos estoques (do Lafepe), mas, posso garantir que o que cabe à Nortec está de acordo com o cronograma", disse. Até que a Nortec aceitasse a sugestão de assumir a produção do medicamento, feito pelo Ministério da Saúde, ele era produzido pela multinacional Roche, que transferiu ao governo brasileiro os direitos e a tecnologia de fabricação do remédio para o Mal de Chagas e seu estoque de matéria-prima.



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Genéricos lideram no Farmácia Popular

 Os medicamentos genéricos já respondem por 65% dos medicamentos comercializados ou distribuídos pelo governo federal no programa Aqui Tem Farmácia Popular. O programa oferece medicamentos gratuitamente para o controle do diabetes e hipertensão arterial, além de subsidiar uma série de produtos para doenças como asma, rinite, mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma, além de fraldas geriátricas. De acordo com a Associação Brasileiras das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a Pró Genéricos, a participação desse tipo de medicamento saltou de 51% em janeiro para os atuais 65%, impactados pelo início da distribuição gratuita dos produtos para diabetes e hipertensão, que começou a ser feita em fevereiro. Odnir Finotti, presidente da Pró Genéricos, diz que mais de 20.000 farmácias estão cadastradas no programa, responsáveis por atender cerca de 7.000.000 pessoas.O Aqui Tem Farmácia Popular conta com um orçamento previsto de R$ 470.000.000, sendo que os produtos gratuitos consomem 60% do total.

Fonte: Diário de Pernambuco

Sindusfarma e ADJ lançam maior curso de Aprimoramento em Diabetes para Farmacêuticos (Aprifarma) do Brasil em formato e-learning

A primeira fase do projeto foi o maior treinamento presencial de farmacêuticos do mundo e capacitou 1.900 pessoas em 18 meses. Com o intuito de atingir mais de 60 mil farmacêuticos no país, a Associação Diabetes Brasil (ADJ) em parceria com a Federação Internacional de Diabetes (IDF) inicia maior curso de Aprimoramento em Diabetes para Farmacêuticos em formato E-learning. A primeira fase contou com edições presenciais em 17 estados e o Distrito Federal. Ao todo, já foram capacitados 1.900 farmacêuticos em 30 edições, desde agosto de 2010.
Com o apoio do Conselho Federal de Farmácias (CFF), dos Conselhos Regionais de Farmácias, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), a iniciativa começará com dois programas pilotos em 2011 e implementará o novo ciclo em 2012 e 2013, com a expectativa de capacitar dois mil farmacêuticos por mês, com tutoria especialmente qualificada.
O objetivo, além do e-learning, é realizar algumas edições presenciais pós-cursos pela internet, modalidade conhecida como b-learning (b = blend, mistura) e que tem a presença física parte do público-alvo a fim de integrar todo o conteúdo. Assim, haverá interação por meio das tutorias de profissionais educadores, como médicos, farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos a fim de atualizar conhecimentos e desenvolver habilidades desses profissionais para proporcionar suporte adequado aos pacientes com diabetes.
Segundo Sérgio Metzger, Presidente Força Tarefa Governamental da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e Diretor de Relações Institucionais da ADJ, “vamos inserir, de forma efetiva, o farmacêutico no processo educacional e de orientação em saúde para as pessoas com diabetes, transformando as próprias farmácias em estabelecimentos auxiliares de saúde, disseminadoras do conhecimento e de excelência no atendimento farmacêutico”.
Este curso tem como diferencial ter mais de 20 tutores especializados em diabetes, o que facilitará o aprendizado de todos os farmacêuticos que aderirem ao programa.
“Temos a intenção de atingir 320 mil profissionais em toda a América Latina, por meio da Federação Internacional de Diabetes da região da América Central e Sul (SACA), que tem ligação com órgãos que representam os farmacêuticos em cada país”, adiciona Sérgio.
A iniciativa tem patrocínio de 20 associados cotistas do Sindusfarma e empresas que produzem alimentos dietéticos para pessoas com diabetes e hipertensão. [www.adj.org.br].
ADJ-Fundada em 10 de março de 1980, a Associação Diabetes Brasil (ADJ) é uma entidade não-governamental, sem fins lucrativos, legalmente registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Seu objetivo é promover educação em diabetes para pessoas com a condição, familiares, profissionais de saúde e comunidade, proporcionando mais qualidade de vida.
Atende pessoas com todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe sócio econômica, e oferece trabalho integrado de educação em diabetes com uma equipe multidisciplinar formada por médica, psicóloga, nutricionista, enfermeira e voluntários que também têm diabetes ou familiares.
Sindicato da Indústria dos Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma)-É a primeira entidade associativa do setor industrial farmacêutico no Estado de São Paulo. Fundado em 26 de Abril de 1933 por um grupo de idealistas para defender os interesses de uma categoria então emergente, responsável pela fabricação e importação de medicamentos, congrega atualmente em seu quadro associativo empresas que produzem cerca de 80% de medicamentos no Brasil e empregam aproximadamente 60 mil profissionais.
No rol de suas atividades constam a firme defesa das causas da indústria farmacêutica paulista e brasileira, a eficiente prestação de serviços aos seus associados, a contribuição para o desenvolvimento dos profissionais do setor, a permanente atenção sobre a legislação e regulamentação sanitária e sindical-trabalhista, econômica e tributária, a contribuição com os órgãos governamentais, a negociação de convenções coletivas de trabalho com as entidades das categorias profissionais e trabalhadores em geral, a definição e concessão de benefícios aos trabalhadores de nosso setor, entre outras.
Federação Internacional de Diabetes (IDF)-IDF é a sigla em inglês para Federação Internacional de Diabetes, organização que congrega mais de 200 associações de diabetes em mais de 160 países. Representa as pessoas com diabetes e/ou que têm risco de desenvolver. A Federação é líder da comunidade em diabetes desde 1950 e principal organização mundial a ditar as diretrizes para o diabetes. Sua missão é promover os cuidados em diabetes, prevenção e cura em todo o mundo. A campanha Unidos pelo Diabetes tem reconhecimento, desde 2006, pela Organização das Nações Unidas e tem seu Dia Mundial pelo Diabetes comemorado em 14 de novembro.