quarta-feira, 28 de setembro de 2011

'O marco regulatório para o setor de medicamentos biológicos está completo'

“O marco regulatório para o setor de medicamentos biológicos está completo”, disse o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano. Ele faz referência à Resolução RDC no 49, que foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (22/9). A nova norma estabelece os requisitos para a realização de alterações e inclusões pós-registro dos produtos biológicos, como soros e vacinas.“A publicação desta norma finaliza o trabalho da Anvisa de consolidação do marco regulatório para o setor de medicamentos biológicos. Com isso, temos agora uma resolução mais cristalina e objetiva que a anterior. Isso terá um impacto direto na instalação de novas empresas no mercado e uma repercussão positiva para os usuários de medicamentos”, explica Barbano. Segundo ele, a norma vai fortalecer a produção de medicamentos biológicos no Brasil.A RDC no 49 institui novos assuntos de petição e está harmonizada com procedimentos já estabelecidos na área de medicamentos da Anvisa. A norma vai substituir a Resolução no 315 de 2005, cuja atualização fez-se necessária, também, pelo desenvolvimento tecnológico observado no país.Além dos requisitos para alterações e inclusões pós-registro, a regulamentação também estabelece as exigências para a suspensão e reativação de fabricação e cancelamento de registro de produtos biológicos. Para ler na íntegra a RDC no 49, clique aqui

Fonte: ANVISA

Acordos com Cuba vão permitir novos medicamentos ao Brasil

Cuba e Brasil assinaram, em Havana, um acordo de colaboração na área de saúde e biotecnologia para combater o câncer e a diabetes, doenças contra as quais o país possui tratamentos avançados, informou nesta sexta-feira a imprensa local. O projeto de cooperação chamado 'Fortalecimento e organização de pesquisa clínica para o câncer' foi assinado pelos ministros da Saúde, Roberto Morales, de Cuba, e Alexandre Padilha, do Brasil. 'Temos expectativas de avançar concretamente na área, não só para nossos países, mas para o resto do mundo. Esperamos alcançar o acesso universal aos medicamentos, que é um direito fundamental da saúde', disse o ministro brasileiro, citado pelo jornal Granma. O acordo enfatiza a necessidade de garantir que pessoas necessitadas, em particular quem sofre com câncer e diabetes, tenham acesso a medicamentos produzidos em Cuba, que possui vasta experiência, ressaltou a agência de notícias Prensa Latina. Padilha disse que espera poder produzir e utilizar no Brasil medicamentos biotecnológicos cubanos, e que ambos os países possam conquistar o mercado global em tratamentos contra o câncer, a diabetes e doenças renais. O ministro visitará nesta sexta-feira a Escola Latino-americana de Medicina, onde estudam 600 brasileiros. Ele afirmou que pretende aproveitar esta visita 'para dar passos concretos que permitam aos brasileiros que estudam em Cuba contribuir mais com a saúde dos compatriotas'. Brasil e Cuba são parceiros na saúde desde 1996 . As colaborações incluem projetos de cooperação na área de biotecnologia e vigilância sanitária.

Fonte: AFP

Portugal: a crise nas farmácias (em áudio)

Portugal: Há 604 farmácias sem crédito junto dos fornecedores, e, no último ano, 80 farmácias avançaram com processos de insolvência só na região da Grande Lisboa. Ouça aqui, em áudio da RTP, a grave crise que leva várias farmácias a valer somente 1 euro, cada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Fármacos para doenças negligenciadas

Nas últimas décadas, cerca de 1.400 novas moléculas foram autorizadas pela FDA (Food and Drug Administration)–agência regulatória de alimentos e fármacos dos Estados Unidos – para ser testadas em humanos para o tratamento de doenças em geral. Desse total, apenas 16 foram direcionadas para o tratamento de doenças tropicais negligenciadas (DTN), como são classificados determinados males infecciosos que se desenvolvem em climas quentes e úmidos e que afetam mais de 1 bilhão de pessoas pobres, principalmente na África, Sudeste Asiático, América Latina e Caribe, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde). Na tentativa de descobrir moléculas candidatas a novos fármacos para essas doenças ignoradas pelas indústrias farmacêuticas e que vêm sendo tratadas com medicamentos muito antigos – que apresentam problemas como baixa eficácia e elevada toxicidade –, pesquisadores brasileiros realizam estudos para identificar receptores biológicos alvos e desvendar suas estruturas. Os resultados de algumas pesquisas realizadas na área foram apresentados no quinto evento do Ciclo de Conferências do Ano Internacional da Química 2011, que teve como tema'Doenças negligenciadas e os desafios no desenvolvimento de novos medicamentos' e foi realizado em 14 de setembro no auditório da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). De acordo com Glaucius Oliva, presidente do  CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e professor do Instituto de Física de São Carlos, da USP, diferentemente do que se fazia até meados da década de 1960 para desenvolver um novo medicamento – a obtenção primeiramente de moléculas para então testá-las em um modelo animal, atualmente se adota o processo inverso. 'Hoje, procura-se descobrir primeiramente o receptor biológico alvo e, em seguida, sua estrutura, para depois tentar bloqueá-lo e, finalmente, procurar sintetizar e buscar uma molécula na natureza', disse Oliva. Pesquisador do Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP e que abriga o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biotecnologia Estrutural e Química Medicinal de Doenças Infecciosas (INBEQMeDI) –, Oliva e equipe descreveram a estrutura de uma enzima essencial para o Trypanosoma cruzi, o agente causador da doença de Chagas, que pode ser receptor-alvo para novos medicamentos para o tratamento da doença. Utilizando a técnica de difração de raios X, os pesquisadores revelaram a estrutura cristalográfica da gliceraldeído 3-fosfato desidrogenase (GAPDH), uma enzima que desempenha papel fundamental no metabolismo de glicose do parasita. A descoberta abriu a possibilidade para o planejamento de novos medicamentos para o tratamento da doença baseados na estrutura desse receptor biológico alvo. 'Por meio de técnicas físicas para estudar a estrutura de moléculas, como raio X, radiação síncrotron e ressonância magnética nuclear, entre diversas outras, nós, físicos, podemos contribuir para o desenvolvimento de novos fármacos', disse Oliva. Base de dados Segundo Oliva, os dois principais critérios utilizados para a busca de uma molécula que se encaixe em um novo receptor biológico alvo é a complementaridade de suas formas e propriedades químicas para que o princípio ativo tenha a ação farmacológica desejada no organismo humano. Para facilitar os estudos das propriedades dos princípios ativos já existentes em novos receptores biológicos alvos, pesquisadores do Laboratório de Química Medicinal e Computacional do CBME desenvolveram uma base de dados para estudos de propriedades farmacocinéticas e desenvolvimento in silico de predição de absorção, distribuição, metabolismo e excreção. Intitulada Database for Pharmacokinetic Properties (PK/DB), a base pode ser acessada livremente a partir do site do laboratório e reúne cerca de 1.400 compostos, relacionando-os com suas respectivas propriedades. 'A base de dados apresenta mais de 4.000 medidas dos compostos, como absorção intestinal e biodisponibilidade em humanos, e é uma ferramenta bastante interessante de busca por moléculas. Basta inserir o nome de uma molécula para ver sua forma de representação molecular e ação farmacológica', disse Adriano Andricopulo, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP e coordenador do laboratório. Segundo ele, recentemente foi disponibilizada na base de dados uma ferramenta de procura por fragmento molecular para o planejamento de novas moléculas que permite estudar o papel deles em diferentes fármacos lançados no mercado. Os pesquisadores desenvolvem uma nova ferramenta para possibilitar a triagem virtual de moléculas com maior potencial para serem testadas experimentalmente em laboratório em um receptor biológico alvo. 'Por meio da nova ferramenta, será possível selecionar moléculas que já estão disponíveis fisicamente, realizar testes de triagem biológica em laboratório em um alvo bem definido', disse Andricopulo. A base de dados para estudos de propriedades farmacocinéticas pode ser acessada em: http://miro.ifsc.usp.br/pkdb.
 Fonte: FAPESP